Hugo Sousa: “o importante é fazer rir”

No próximo dia 26 de maio, Hugo Sousa vai estar no nosso Centro para um espetáculo de stand-up comedy. Estivemos à conversa com o humorista e, entre risos e piadas, ficámos a saber mais sobre a sua carreira. E antes de começar a ler o nosso artigo, avisamos que tentámos manter a seriedade da entrevista… mas sem grande sucesso!

O humor entrou muito cedo na vida de Hugo Sousa. Era ainda um miúdo de 19 anos quando se estreou a fazer stand-up comedy num bar de Miragaia e, desde aí, nunca mais parou. Em 2003, o programa da SIC “Levanta-te e Ri” deu-lhe o empurrão que precisava para levar a carreira mais longe e agora, mais de 15 anos depois, é já um dos humoristas mais conhecidos do nosso país.

Em jeito de antecipação do espetáculo no GuimarãeShopping, falámos com o comediante para saber mais sobre a sua carreira, o seu processo criativo, a sua opinião sobre o humor em Portugal e o que é preciso para se ser humorista. Ter piada é fundamental, mas não basta.

Veja aqui o vídeo com um excerto da entrevista ao humorista, e mais abaixo a entrevista na íntegra:

 

O humor entrou muito cedo na sua vida. Como é que tudo começou?

Já comecei há muitos anos, era muito novinho quando entrei nesta jornada do humor. Comecei em 1999, num barzinho em Miragaia a dizer umas piadolas, e depois isto começou tudo a sério quando surgiu o “Levanta-te e Ri”, em 2003. Comecei a ir ao programa, felizmente correu bem e desde aí nunca mais parei. Tenho feito disto a minha vida. E espero que isto continue porque não me apetece ir trabalhar.

O “Levanta-te e Ri” foi muito importante na sua carreira?

Sim. A versão original foi o que me permitiu fazer disto vida. Eu na altura estava a estudar na faculdade, andava a tirar o curso de educação física, e o “Levanta-te e Ri” coincidiu com o último ano da faculdade. Por isso nunca dei aulas nem nada, para bem do nosso sistema educativo.

Há pessoas que pensam que um humorista só tem que dizer umas piadas perante a plateia, mas há muito mais trabalho a fazer. Qual é o processo por detrás do seu trabalho?

Há muito trabalho de casa, é verdade. Agora o meu ritmo de trabalho é fazer um espetáculo a solo por ano. E no primeiro semestre do ano vou fazendo outro tipo de trabalhos, como espetáculos de empresa, espetáculos de teatro mas com outros comediantes… Para escreveres 1h15 ou 1h30 de piadas demoras muito, perdes muitas horas em casa, e eu agora estou nesta fase de escrever piadas novas para preparar o espetáculo que vem aí em outubro. E depois vou experimentando, vou dando agora uns espetáculos, e vou metendo umas “buchas” novas pelo meio, vou dizendo umas piadas mais antigas, outras que são mesmo muito antigas, mas que eu pego e dou a volta. Isto é tudo um processo muito doido.

Há cada vez mais humoristas em Portugal. Acha que o humor que se faz hoje em dia tem qualidade?

Tem. Cada vez temos mais humoristas, cada vez temos melhores humoristas e cada vez temos mais público de humor. De há uns anos para cá surgiram os novos comediantes que, com a ajuda do YouTube (que foi uma ajuda muito grande para o stand-up), trouxeram mais público, tal como agora o “Levanta-te e Ri”. A minha principal ferramenta de trabalho e divulgação é o Instagram. Também tenho o YouTube, onde tenho muitos vídeos de stand-up, mas uso muito o Instagram para pôr piadas e vídeos de comédia. E isto é uma ferramenta quase tão importante como a televisão. Há uns anos, quem não aparecia na televisão não era conhecido. Hoje em dia, a malta já tem outras plataformas digitais onde pode divulgar o trabalho e isso é que é importante, isso é que traz o público aos espetáculos.

Então há espaço para o humor em Portugal?

Claro que há espaço, sempre houve espaço. É bom que o humor cresça cada vez mais e haja mais humoristas e melhores humoristas. Acho que esse é o caminho. A coisa está a chegar lá!

É fácil ser-se humorista em Portugal?

Eu tenho a sorte de já fazer isto há uns anos e está a correr-me bem. Agora se me perguntarem se é fácil começar a fazer humor em Portugal… um desconhecido, um puto que quer começar a fazer humor, não é assim tão fácil porque tem que passar muitas barreiras. Primeiro tem que ter piada. Acho que isso é sempre o mais difícil. Eu ainda acredito que quem consegue ter piada consegue chegar longe. Mais cedo ou mais tarde vão aparecer oportunidades. Hoje em dia a malta nova tem que aproveitar o que eu estava a dizer há pouco: as redes sociais para divulgar o trabalho. O importante é escrever-se cada vez mais, ter piadas melhores, arranjar temas… Temos aí muita malta que surgiu agora e que basicamente não depende de ninguém. Basta criar um canal de YouTube e fazer vídeos. Se tem piada, tem piada, se não tem piada… paciência. Mas é aproveitar as redes sociais.

Para quem nunca viu um espetáculo seu, qual é o seu tipo de humor?

Eu conto muitas histórias e faço humor de observação. Basicamente é aqui que assenta o meu stand-up. Depois tem também umas piadas soltas e as pessoas já têm que estar à espera de ouvir uns palavrões… umas piadas mais ordinárias faz parte. E basicamente é isso. Mas é muito simples: podem ir ao meu canal de YouTube e há lá muitos bites de stand-up, é aproveitar isso. Nem se paga, nem nada!

Qual foi o lugar mais bizarro onde já atuou?

Ei pá! Eu agora já faço poucos espetáculos em bares e em sítios pequenos, mas quando se começa – e faz parte, tem que ser assim – basicamente tens que comer tudo o que te dão. Atuar em bares com muitos bêbados, atuar em bares em que estás entre a máquina dos flippers e a máquina das setas. Mas o que é sempre mais complicado, e é a grande dificuldade no início, é ires atuar a sítios onde se calhar tens lá malta que te quer ver mesmo, mas também tens malta que não sabe quem és, tens bêbados, tens pessoal que quer ir para lá dançar e não está para ouvir um gajo a falar e isto faz tudo parte do processo. Mas é aqui que uma pessoa aprende e é isto que depois dá experiência para o futuro. Agora, felizmente, já me posso dar ao luxo de fazer espetáculos um bocadinho maiores, mas eu ainda marco espetáculos em alguns bares, muito poucos, porque nós precisamos de salas mais pequenas para experimentar as piadas que depois levo às salas maiores.

E fãs, já houve algum que tenha feito algo bizarro e que o tenha marcado?

Sei lá… soutiens, cuecas… às vezes são mulheres mesmo que atiram! É bom o carinho que se recebe da parte do público, recebo muitas mensagens, nos espetáculos há sempre muita gente que faz questão de vir tirar fotografias e eu também tento ser simpático para as pessoas. O reconhecimento vem um bocadinho de todos os lados, vem das redes sociais, vem dos espetáculos. Mas no que me tento focar sempre é em fazer rir as pessoas, seja ao vivo, seja nas redes sociais, seja com uma piadinha no Twitter. O que é importante é fazer rir, depois o resto vai aparecer, mas claro que é bom ter o reconhecimento do público.

E no dia 26, às 21h, não pode mesmo perder o espetáculo de stand-up comedy de Hugo Sousa no GuimarãeShopping! A entrada é livre e garantimos que vai ser de chorar a rir!

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